Orgia Animal!!!

Carmen Sílvia Musa Lício

Hoje pela manhã uma amiga me ligou pedindo uma informação e, ao conversar, me contou da sua cadelinha que está em pleno cio… Ela tem 3 cães, todos de pequeno porte e a sua mãe, de 70 anos, resolveu que também queria um cachorro para “chamar de seu”… e acabou ganhando uma cadelinha da raça Pincher, ainda filhote…

Até aí, tudo bem. Os cães acabaram por se acostumar com a pequerrucha, sendo então aceita pela matilha… Só que ela foi crescendo e acabou por entrar em seu primeiro cio; daí começaram os problemas…

Os cães dormem com esta minha amiga e a “cadelinha invicta” com a sua mãe (desta minha amiga, não da cadela), cada uma no seu quarto… Acontece que a matilha está alvoroçada devido à novidade… Então, as duas têem que tomar todos os cuidados possíveis para prevenir a inauguração da menor de idade, mesmo porque seriam 3 cães contra uma cadelinha indefesa, já pensaram? Além da violência, haveria o crime de pedofilia animal, afinal… é o seu primeiro cio!!!

Então eu acabo por acompanhar  o drama pelo telefone, e por rir muito disto tudo, apesar delas estarem se sentindo desconfortáveis devido à falta de sossego até para dormir, devido aos latidos e ganidos da cachorrada… E a vizinhança então??? Todos estão alarmados…

Eu não havia percebido que estava rindo tanto enquanto ela me contava, até ela me dizer:- “É, você está rindo porque não está acontecendo com você; precisa ver a barulhada que estão fazendo aqui em casa, dia e noite. Nem conseguimos mais dormir direito, nem sair, nem deixar as janelas abertas, pois eles entram pela janela e avançam na pobre coitada; uma séria tentativa de orgia animal!!! É um corre-corre, um lambe-lambe, uma verdadeira orgia canina!!!”

Confesso que ri muito, pois pelo telefone ouvia a “latição” e a bagunça dos animais… Durma-se com um barulho destes!!!

PS: Vocês pensam que a história acabou??? Infelizmente não…

Hoje soube que a cadelinha foi “grampeada” por um dos cães e que ela, ignorante em “matéria animal”, tentou separa-los, não conseguindo… Acabou por ligar para a veterinária, que riu muito e explicou que seria necessário esperar um tempo, pois a própria natureza cuidaria disto.

Agora, já inaugurada, é esperar o provável nascimento dos filhotes…

A propósito, alguém quer um?!?!?! 

Matando um Leão por Dia…

Carmen Sílvia Musa Lício

Outro dia eu estava assistindo a um programa de TV onde o apresentador, a uma certa altura, disse que não entende como as pessoas conseguem dizer que matam um leão por dia no trabalho. Disse ainda que se fosse para viver assim, ele pediria a conta, pois nós devemos trabalhar com aquele “élan” e o trabalho deve ser prazeroso…

Fiquei pensando que a teoria na prática é bem outra; a maioria das pessoas não escolhe a profissão por ser a que mais ama, ou que é a mais adequada ao seu temperamento, personalidade ou às suas habilidades… Muitos escolhem a profissão pensando naquela que irá lhe dar um retorno mais “polpudo”, pensando em obter uma vida com maior conforto, mais “status”… Outros, sem maiores condições, acabam por “escolher” a carreira que está mais acessível, mais próxima, a que se apresentou e o infeliz abraçou…

Mas para poder se sobressair na carreira escolhida, todos têm que se sujeitar a muitas coisas, a condições muitas vezes até bastante adversas… Outros passam pelo mesmo infortúnio, só para se manter no serviço onde já estão…

Assim, acho estranho alguém dizer que “quem não está contente com o seu serviço, que peça demissão”… Como se fosse tão tranqüilo sair de um emprego e já se colocar em outro que o torne mais satisfeito de uma hora para a outra! A parcela da população que tem a possibilidade de uma escolha mais acertada e melhor dirigida, com acesso a estudo, a fazer um teste vocacional de qualidade… é muito aquém do que seria aceitável, ou ideal.

Eu, como funcionária pública já há quase 30 anos, já acostumada a matar não só um leão por dia, mas uma fila de leões, um a um… fico impressionada com um “simplismo” destes!!! E não sou só eu, não, somos todos nós que atendemos ao público, cada vez mais exigente e cheio de direitos (que têm), mas cobrando-nos de uma forma bastante desagradável; são as condições, cada vez mais escassas e ineficientes; é o chefe, cada vez mais estressado, tentando dar conta de um recado cada vez mais monstruoso e inatingível; são os colegas, que além de receberem uma salário completamente defasado e terem problemas familiares enormes advindos deste descaso com o funcionalismo, têm que arcar com um serviço cada vez maior e com menos pessoas para dividir…

Só por esta mostra dá para ver a magnitude desta selva periférica, com seus múltiplos leões a serem mortos ou domesticados… Não é à toa que saímos de lá estressados, parecendo que “nos sugaram as forças ao máximo”… E o pior é que isto não acontece só no serviço público, não. É bastante difundido em todos os setores, sendo “democratizado”… Aí, sim, vemos a democracia…

“Negoçá”…

Carmen Sílvia Musa Lício

Meu irmão caçula, Paulo Alencar, veio para São Paulo com a família para passar a Semana Santa… Sempre que vem para cá aproveita para fazer compras de roupas, eletro-eletrônicos e generalidades, pois acha aqui mais barato…

Neste ano ele veio só para nos ver e tomar um fôlego antes de voltar e enfrentar a sua “conjuntura de então”. Ele tinha uma área com um extenso bananal em Janauba, mas havia perdido tudo em uma queimada que o seu vizinho havia feito e fugiu ao seu controle, acabando por ver o que conseguiu em mais de 20 anos, plantação, gado, casa na área e todo o material que tinha para fazer irrigação da área, sendo dizimado pela fúria do fogo em pouco mais de meia hora… Estava bastante abatido, sem saber por onde começar…

Como estivesse nesta situação difícil, não estava comprando nada, “nadica de nada”… Então a minha irmã deu uma certa quantia para que eles pudessem comprar o básico para levar e eles foram às compras lá no Brás, onde tudo é mais em conta…

Ao voltarem, chamaram os filhos para mostrar o que conseguiram comprar: algumas camisetas para o mais velho, umas roupas para a do meio e outra para a caçula… O rapaz ficou contente e agradeceu, a caçula saiu para o quarto toda feliz para experimentar as roupas, mas a do meio olhou tudo, fez um ar de desaprovação e disse que não iria usar nada daquilo, pois era “carregação”… Ficou inconformada, e o meu irmão tentou dar um basta, mas não houve jeito; ela não parava de reclamar e quanto mais ele argumentava, mais ela respondia, do alto dos seus dezesseis anos de vida e experiência… Um dos seus últimos argumentos foi que era obrigação deles a sustentarem e vestirem já que ela não havia  “pedido para nascer”… aqueles argumentos bem “lógicos”, próprios desta fase… Daí eu disse que nem sempre os filhos são todos planejados, que são bem vindos mas que não era tão simples assim… Então ela respondeu, convicta:- “Quem mandou negoçá!!!”

Todos rimos quando conseguimos entender o que era “negoçá”! Daí foi uma gozação geral, cada um fazia uma frase a respeito… Eu disse:- “Depois que me separei, nunca mais negocei!”, “Meus filhos foram bem negoçados”… E foi daí por diante, simplesmente hilário!!! Ela acabou por achar engraçado e rir conosco… Nunca eu havia ouvido este termo!!!

Síndrome de Abstinência Internáutica

Carmen Sílvia Musa Lício

 A Síndrome de Abstinência Internáutica consiste nas reações que ocorrem quando a pessoa que é dependente da Internet, por alguma razão, se encontra impossibilitada de usufruir da sua ação serotoniana (ligada ao simples prazer de entrar na internet)…

Pode acometer qualquer um que esteja impossibilitado de acessá-la, por alguma razão alheia à sua vontade, tais como: falta de sinal na rede, computador com alguma avaria, falta de tempo hábil, falta de paciência em percorrer todo o caminho internáutico para poder detectar qual o problema… pressa, muita pressa… perda de dados duramente registrados, computador obsoleto (mais de 6 meses de uso, já era!!!)…

O obstinado, geralmente começa por uma leve irritação, um tamborilar de dedos desconexos, podendo agudizar conforme a necessidade do uso contínuo do “objeto alvo de desejo”… podendo levar à frustração, mal humor, “piparotes” na CPU (não, não é palavrão!), movimentos bruscos na tela do pobre computador, o andar de um lado para o outro, sem conseguir se acalmar, ligações “certeiras” para a Telefonica, onde “descarrega” toda a sua ira no pobre coitado do “escutador de reclamações animais incessantes nada lisonjeiras”… podendo levar à fúria!!!

Pode haver tremores pelo corpo, elevação da Pressão Arterial e até arremesso de peso pela janela, caso este no qual é recomendável o uso de uma camisa de força eventual até que o ataque seja dissipado…

Um leve rosnado involuntário pode indicar que a crise está se  aproximando e que talvez seja melhor defender-se da ira alheia ou defender o computador para que não se desintegre neste momento tão crucial…

Normalmente estes acessos tendem a se tornar mais comuns, mas com uma menor intensidade… e o tratamento ideal deve ser o preventivo, com uma manutenção adequada do computador, colocar alvos para que as pessoas não se tornem tão dependentes do “dito cujo”, tentar atividades ao ar livre, com os amigos ou familiares… viagens para locais ermos, sem qualquer comunicação que possa detonar uma próxima crise…

O tratamento é sintomático e deve ser prescrito pelo médico psiquiatra e/ou psicólogo, com um acompanhamento psicoterápico para uma mudança de comportamento (terapia comportamental)… Convém lembrar que antes do tratamento há que haver muita calma, tentando não contrariar o indivíduo, para não se tornar alvo do mesmo…

Com os estudos recentes a respeito, espera-se descobrir um melhor tratamento preventivo, curativo e após a exposição repetitiva, um tratamento que possa diminuir as sequelas emocionais…

Tudo pelo social…

Síndrome da Dependência Internáutica (SDI)

Carmen Sílvia Musa Lício

I-Histórico:
Surgiu no final do século passado, com a disseminação da Internet, começando nos países do Primeiro Mundo e, com a divulgação da mesma, foi se alastrando pelo Novo Continente. Atualmente presente até nos paises do Terceiro Mundo, ou dos Países em Desenvolvimento…

II- Agente Etiológico:
Vírus da família manniae operandi, que pode se apresentar na forma esporulada, podendo acometer pessoas suscetíveis que estejam frente ao computador, de forma intermitente, no início, evoluindo para uma dependência psíquico-física cada vez maior, podendo levar a uma desestruturação da vontade de sair do mesmo, de sair com os amigos reais e perder a noção da “vida lá fora”

III- Modo de Transmissão:
Pode se dar pelo contato direto, boca a boca, ou pelo contacto indireto, através dos amigos, de escutar falar, propagandas… É mais comum em pessoas mais jovens, a partir dos 12 anos, se agudizando quanto mais cedo a pessoa ficar exposta ao agente causador… Quanto mais pessoas se expuserem, maior será o número de pessoas acometidas, podendo levar a uma verdadeira epidemia, de proporções incalculáveis… Esta epidemia já está se alastrando a nível mundial.

IV- Período de Incubação:
Pode durar de 2 a 3 dias até algumas semanas, sendo que os sintomas estão sendo antecipados, conforme a instalação da rede (normal discada, banda larga…, velocidade de acesso…)

V- Evolução:
Para que haja a contaminação é necessário a exposição intermitente ao agente etiológico… A evolução depende da potência do agente em questão, da susceptilidade da pessoa exposta, seu
sistema imunológico, vínculos familiares… das ferramentas disponíveis, das condições favoráveis como computadores disponíveis, ambiente familiar, telas planas modernas, com 17/19 polegadas… Quanto mais modernos os computadores, maior a dependência.

Com o passar do tempo, a pessoa fica com o linguajar estereotipado, do tipo “html, e-mail, site, configurações, postagem”, podendo, conforme a gravidade, levar à aparição de muitos blogs, que quando aparecem, dificilmente desaparecem, dando um prurido (coceira) enorme nos dedos, que só passam com o dedilhar nas teclas do computador… Quanto mais a doença avança, maior é a necessidade de blogar…

VI- Sinais e Sintomas:
Esta síndrome se caracteriza pela necessidade premente do indivíduo ficar em frente ao computador, teclar até não poder mais, podendo perder o sono, se estendendo até a madrugada; risos incontroláveis em frente à tela, sem causa aparente, ou causa a esclarecer; mania de atualizar, formatar, mandar e-mails, receber e-mails, ouvir músicas, baixar músicas, etc…

Quanto mais jovem, maior a necessidade de entrar no Orkut…. Os “mais experientes” (mais idosos) preferem blogar…

Todas estas manifestações dependem do local de acesso, da cultura, da religião e outros fatores externos ainda em estudo…

VII- Tratamento:
Resume-se básicamente em equacionar a vida, sem exagerar na dose. Convém não contrariar o dependente, que dificilmente percebe a própria situação… Deve-se tentar chamá-lo para atividades de lazer ao ar livre, em grupo, a dois, dependendo da receita prescrita que deve ser individualizada… Convém diminuir o tempo de exposição ao computador, progressivamente, para que ele volte ao seu perfeito juizo e se adeque novamente à vida social normal.

A duração do tratamento depende da gravidade dos sintomas…

VIII- Prognóstico: Depende do tratamento ser iniciado logo no início… para que tenha êxito total.
Não leva à morte; só tende a diminuir o convívio social, o tempo para pensar na própria vida, cuidar do próprio corpo, de outros afazeres cotidianos…

IX- Epidemiologia:
A tendência é se alastrar pelo mundo todo, se intensificando… e pode representar perigo para a Saúde Pública quando o infeliz começa a balbuciar palavras desconexas tais como: zipar, linkar, comentar, ctrl-c, ctrl-v, blogosfera, login, senha, plugado, giga-bite, arquivo, velocidade, memória ran, web site, you tube, log… e outras palavras “chiques”, inovadoras… mas esquisitas!!!

X- Considerações Finais:

Como é uma doença pouco conhecida e muito pouco estudada, sendo que o estudo científico está bem aquém do estudo empírico, aceitamos sugestões de metodologia científica, de um nome mais adequado para a doença e comentários para o enriquecimento do nosso conhecimento a respeito de um assunto tão atual.

Obs: Na próxima edição da nossa Revista Virtual de Atualidades, esperamos colocar um estudo sobre a Síndrome da Abstinência do Acesso Ilimitado à Internet.