Carmen Sílvia Musa Lício
Quando fui “de carona” para os Estados Unidos, aconteceu um fato tragicômico… Estávamos na Disney, quando o meu cunhado resolveu experimentar a sensação daquele elevador que sobe vagarosamente até uma altura considerável, e depois não desce… Despenca!!!
Aí já começa a minha pequena tragicomédia!!! Eu me prontifiquei a ficar com meus sobrinhos em chão firme, pois confesso que “adrenalina” não é o meu forte… Calmamente me dispus a ficar com as crianças quando o meu sobrinho, de mais de 3 anos resolveu que “se papai acha divertido, deve ser divertido!” e eu fiquei em uma “sinuca de bico”…
Nem imaginava, ao acordar pela manhã, o que me esperava!!! De repente, meu cunhado perguntou ao Filipe se ele queria ir, olhou para a minha irmã, e sentenciou:- “Ele vai conosco!!!”
Eu fiquei ali parada, sem hálibi, já na fila, sem saber como me safar daquele destempero, daquela temeridade toda… Ainda consegui balbuciar que ficava com a menina, mas ela já estava aninhada, se sentindo segura, nos braços do pai, e então meu sobrinho disparou o tiro certeiro:- “Tia, não fica com medo, não! Eu seguro a sua mão!”
Já sei que vocês devem estar rindo “pra valer”, principalmente porque eu, sem argumentos, me senti como “ovelha seguindo muda para o matadouro”, com o meu sobrinho corajoso, de quase 4 anos, a me segurar pela mão, e a me olhar, sempre, para ver se eu estava bem…
E a fila andava, bem devagar (creio que fazem de propósito, para nos inspirar mais terror!!!) Eu fui andando, ao “sabor das ondas”, pensando no meu pavor desde que sofri um sério acidente, onde o nosso carro, um simples fusquinha, foi abalroado por um caminhão basculante, sendo que a sensação da queda, de ser projetada para longe, ficou marcada indelevelmente em minhas entranhas…
Lembrei ainda que há muitos anos, ao entrar em um elevador lá na Praia Grande, a Etty Frazer (uma atriz) estava dentro e, devido à sua notoriedade, as pessoas começaram a entrar no elevador só para ve-la, e a senhora, com mais de cem quilos, acabou por nos fazer cair em queda livre até o poço do elevador… Eu??? Segurando e protegendo a minha sobrinha que devia ter uns 9 meses… Inesquecível!!!
Lá pelas tantas, vendo meu cunhado e a Ester rindo de mim (já viram tamanha maldade???), resolvi dizer:- “Onde está escrito que, para a gente ser feliz, tem que passar por situações extremas???” Foi uma gargalhada só, e eu continuei a minha defesa, tão inútil:- “Me mostrem onde está escrito na Bíblia que devemos passar por estas experiências para que possamos ir para o céu!!! É um sacrifício inútil!!!”
Argumentei ainda que “pagar para sofrer” não me parecia um ato muito saudável, mas eles, insensíveis, se limitaram a rir… Não teve “choro nem vela”, fui amparada pelo meu valente sobrinho e começamos a subir, pau-la-ti-na-men-te, com alguns barulhos (clec-clec) para aumentar a minha aflição!!!
Quando chegamos ao “ápice”, confesso que estava orando sem parar, num desespero de causa, pedindo a Deus um mínimo de compostura, de decência, para que não virasse uma eterna vítima de gozações futuras por parte da família!!! E o Filipe não tirava os seus olhinhos infantis de mim…
Não pensem que gritei “feito maluca”, que coloquei os “bofes para fora”, não… Nada disto, a minha aparência externa continuou a mesma, talvez um tanto mais branca do que já sou (se isto é possível), apesar que em meu íntimo, estava em pleno pânico, me perguntando se aquilo era diversão (diversão mais besta, sô!!!), se acabaria logo, se não teria um infarto; se sairia dali pelo menos andando…
Exageros à parte, veio a queda, e que QUEDA!!! Brusca e sem escalas!!!
As pessoas gritavam feito malucas, eu fechei os olhos e me calei, meu sobrinho segurava a minha mão e nem sei qual era a sua cara, pois não dava, a estas alturas, para eu dar nenhum conforto ou ânimo para quem quer que seja; era cada um por si e Deus por todos!!! Só de não gritar, já estava bom demais!!!
Terminada a queda, fiquei aliviada, pensando que já estava livre daquilo tudo, quando começamos a subir novamente… “Meu Deus, que será isto??? Mamãe, quero sair daqui!!!!!!!!!!!!!!!”
E nova queda, e mais outra, quase em seguida… Já ouviram falar de queda fracionada, sequencial??? Pois é, esta foi assim… Um terror!!! De ponta a ponta!!!
Obs: Até hoje me admiro de como fui cair (literalmente) nesta enrascada toda, muito sem graça por sinal!!!